Pessoas com deficiência no trabalho
Pessoas com deficiência são um grupo social que continua a enfrentar muitas barreiras no mundo do trabalho. Por isso, é tão importante ter atenção às necessidades e especificidades do seu trabalho e usar terminologia adequada. Neste contexto, vale a pena abordar a questão linguística e refletir sobre porque se deve dizer "pessoa com deficiência" e não "pessoa deficiente".
Porque é que a forma como fala importa?
Comecemos pela terminologia. Pode parecer algo secundário, mas, na realidade, as palavras têm um enorme peso. A forma como falamos sobre alguém influencia a forma como pensamos sobre essa pessoa e, consequentemente, como a tratamos. Por isso, a linguagem relativa a pessoas com deficiência deve ser equilibrada e precisa.
Então qual é a diferença entre "pessoa com deficiência" e "pessoa deficiente"? A primeira expressão sublinha que a deficiência é apenas um dos aspetos da identidade da pessoa. A pessoa não é apenas "deficiente" — é, antes de mais, uma pessoa com necessidades, objetivos, sonhos e competências. "Pessoa com deficiência" centra-se mais no ser humano e expressa respeito.
Já "pessoa deficiente" pode sugerir que a deficiência é o fator principal que define a pessoa. Isso pode alimentar preconceitos e estereótipos, dificultando a integração e a aceitação na sociedade. Por isso, é tão importante usar uma terminologia que seja não só correta, mas também respeitadora da dignidade e da identidade de cada pessoa.
Barreiras no trabalho
Voltando à questão do emprego, é importante reconhecer as muitas barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência. Uma delas é a falta de adaptação do ambiente de trabalho às suas necessidades. Muitas vezes é preciso equipamento especializado, apoio técnico ou condições mais flexíveis. Infelizmente, nem sempre as entidades empregadoras estão disponíveis para essas mudanças, o que dificulta a contratação.
Outro problema é a falta de aceitação e os estereótipos associados à deficiência. Ainda é comum que pessoas com deficiência sejam vistas por empregadores/empregadoras ou colegas como menos competentes ou incapazes de realizar certas tarefas. Este modo de pensar é injusto e constitui um obstáculo sério à integração social e profissional.
"Às pessoas com deficiência propõe-se muitas vezes trabalho inadequado à formação ou que desvaloriza competências" — diz Malwina @nie.pelnosprytna — "As ofertas são para o salário mínimo ou trabalho físico, como vigilante ou limpeza, e a execução é difícil no caso de deficiência física. Algumas ofertas servem apenas para melhorar a imagem da empresa, mostrando que toda a gente é bem-vinda, enquanto a discriminação aparece nas fases seguintes do recrutamento."
As dificuldades em encontrar trabalho satisfatório têm também causas mais profundas. As pessoas com deficiência têm acesso mais difícil à educação, incluindo ao ensino superior. Escolas e universidades nem sempre estão adaptadas, por exemplo no acesso, no transporte ou na adaptação de salas, o que reduz as hipóteses de obter qualificações mais elevadas.
Porque vale a pena contratar uma pessoa com deficiência?
É importante notar que contratar pessoas com deficiência traz benefícios não só para a pessoa, mas também para a organização. Em primeiro lugar, aumenta a diversidade de perspetivas e competências na equipa, o que se traduz em mais inovação e criatividade. Além disso, pode ser positivo para a imagem da empresa, que se torna mais aberta e acolhedora.
"Além disso, contratar pessoas com deficiência nem sempre exige ações adicionais" — acrescenta Malwina. — "Existem diferentes tipos e graus de deficiência, e muitas pessoas trabalham como qualquer outra, nas mesmas condições. Talvez tenha sido uma pessoa com deficiência a atendê-lo recentemente num serviço público?
Em entrevistas, vale a pena tratar pessoas com deficiência como qualquer outra pessoa candidata. Se for necessário adaptar o posto de trabalho, esse tema deve ser abordado e, de acordo com a lei, as alterações devem ser implementadas."
É essencial que entidades empregadoras e a sociedade mudem a sua abordagem. Isso exige compreender que cada pessoa, independentemente das suas limitações, tem pontos fortes e competências valiosas. Exige também mais abertura e flexibilidade para adaptar o ambiente de trabalho e boas práticas de cooperação e comunicação.
Em resumo, pessoas com deficiência continuam a enfrentar muitas barreiras no mundo do trabalho. Por isso, é fundamental usar linguagem adequada e respeitar a dignidade de cada pessoa. A contratação pode ser benéfica para a organização, mas requer maior flexibilidade e abertura por parte de entidades empregadoras e da sociedade.



